|
O primeiro-ministro português, José Sócrates, iniciou esta quarta-feira, uma visita de três dias a Moçambique para segundo ele, dar um novo fôlego às excelentes relações entre Lisboa e Maputo. Acompanhado por quatro ministros, cinco secretários de Estado e 55 empresários; a maior parte dos quais já com fortes ligações com Moçambique, José Sócrates “vendeu” o know-how adquirido por Portugal nos últimos anos, na área das energias alternativas.
Falando à imprensa moçambicana e internacional, momentos depois do término das conversações das duas delegações, o chefe do Governo português, referiu que o seu país pretende exportar em força as tecnologias de produção de energias renováveis para Moçambique.
Descrevendo aquilo que são as potencialidades do seu país neste capítulo, Sócrates frisou que Portugal vai construir várias centrais solares para fornecer electricidade a hospitais e escolas em aldeias remotas de Moçambique.
Será no mesmo sentido que cerca de 91,5 milhões de Euros poderão ser investidos nos próximos anos na concretização deste projecto. Nos discursos que pontuaram o encontro dos dois governos, Sócrates referiu que, além do acima aludido, a sua visita tem ainda por objectivo o fortalecimento das relações políticas entre Portugal e Moçambique.
José Sócrates salientou três acordos que, em princípio, irão permitir a Portugal reforçar a sua presença na economia moçambicana: a criação do banco luso-moçambicano, o aumento para 400 milhões de euros da linha de crédito concessionada para Moçambique e os projectos de cooperação no âmbito das energias renováveis.
É neste quadro que o dois Governos decidiram realizar encontros anuais para analisar e avaliar o estágio de cooperação entre os dois países. Na mesma ocasião, o chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza referiu que Portugal é um país amigo de Moçambique e atribuiu importância especial à extensa comitiva vinda de Lisboa. Armando Guebuza acres-centou ter consciência que a aposta portuguesa está a fazer a diferença e apelou aos empresários portugueses para se empenharem ainda mais e assim criar bases sólidas de cooperação não só na área económica mas também em outras. Nesta quinta-feira, além do encontro com Armando Guebuza, o Primeiro-ministro português manteve um encontro de cortesia com o primeiro-ministro de Moçambique, Aires Aly, com a presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, uma recepção à comunidade portuguesa e participou num banquete oficial oferecido pelo PR moçambicano.
Protocolos Antes dos discursos dos dois estadistas, foram assinados oito protocolos pelos ministros dos respectivos pelouros. Oldemiro Baloi e Luís Amado, ministros dos Negócios Estrangeiros de Moçambique e Portugal, respectivamente assinaram o memorando de entendimento para o estabelecimento de cimeiras bilaterais entre os dois países.
Paulo Zucula, Helena Taipo, Filipe Nyussi, Manuel Chang, Salvador Namburete, Armando Artur da parte moçambicana e Luís Amado, Santos Silva, Helena André, Gabriela Canavilhas e vários secretários de Estado da parte portuguesa, assinaram tantos outros protocolos. Nos oito documentos assinados destacam-se o quadro de cooperação militar que consiste em acções de formação de todos os ramos das Forças Armadas moçambicanas, do sector financeiro com a assinatura do acordo de linha de crédito concessional e de fundo de investimentos. Na área dos transportes, a cooperação consiste na troca de experiências no domínio dos transportes rodoviário, aéreo, ferroviário e marítimo e nas telecomunicações.
A questão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) também mereceu destaque nesta visita. Foi nessa senda, que José Sócrates deslocou-se, nesta quinta-feira, àquele mega empreendimento energético, localizado na província de Tete. Lembre-se que o Estado português ainda detém uma participação de 15 por cento na barragem de Cahora Bassa, contra 85% do Estado moçambicano.
Investimentos Nesta visita, os dois Governos anunciaram a criação de um banco virado para o desenvolvimento com capitais moçambicanos e portugueses. Para tal, o Estado moçambicano, através do Tesouro e o Governo português por via da Caixa Geral de Depósito (CGD) vão investir cerca de 500 milhões de dólares.
Ainda no pacote de protocolos, incluiu-se a abertura de uma linha de crédito bonificado e o primeiro-ministro português anunciou o aumento da linha de crédito de 200 para 400 milhões de euros. Actualmente mais de 200 empresas portuguesas ou moçambicanas, mas com interesses portugueses, ope-ram em Moçambique, com o sector financeiro a liderar, seguindo a hotelaria e negócios.
Agendas extras Nesta visita, os integrantes da comitiva de José Sócrates aproveitaram a oportunidade para outras agendas. Os empresários portugueses participaram em vários encontros de negócios com os seus parceiros moçambicanos, Por sua vez, o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, visitou a academia militar em Nampula, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, inaugurou uma exposição e uma biblioteca na Ilha de Moçambique e a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Helena André, fez visita ao Projecto Integrado de Desenvolvimento sócio comunitário no Mumemo e na Matola, visitou um centro infantil.
|